quinta-feira, 18 de junho de 2009

Senhora das Possibilidades

Vai me desculpar, mas somente sei falar dessa senhora como quem admira muito cada manhã cor-de-rosa que se apresenta.

Então Ewá apareceu na sua vida, assim como na minha.

É fácil falar de Ewá quando você ouve música o tempo todo, quando vê através do invisível e quando cada cor parece um arco-íris inteiro...

A forma como Ela aparece é sempre dançando, porque Ewá é a própria dança. Ewá balança e flutua lentamente, gira e desaparece como fumaça.

Nada é impossível para Ewá. Ela é o leque, as opções, as idéias e as possibilidades.

Que Ewá permita que minhas idéias sempre façam brotar a dúvida, jamais a certeza.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A Senhora dos Ventos

Oyá vivia na beira do rio, ora búfalo, ora senhora. Ela era a própria tempestade.

Oyá, que com seus ventos levou as folhas de Iroko, acabou apaixonada pela bela árvore e foi morar na floresta. Para sempre.

A meu amigo e irmão, filho de Iroko nesse mundo e no outro, a quem Oyá acolheu e prometeu cuidar, que bons ventos soprem sempre verdades em seus ouvidos, e que Iroko dê sabedoria para você separar o joio do trigo.

Muito axé na sua vida, que do resto é fácil cuidar.
Eparrey Oyá! Eró! Iroko i só!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A mais linda de todas!

Então ela é realmente a mais linda...

Ultimamente tenho ouvido Ewá sussurrando nos meus ouvidos. São canções sobre o ar e as nuvens, o ouro e o horizonte vermelho das suas roupas, e cada dia que passa tenho mais certeza de que Ela sempre soube exatamente o que estava fazendo.

Assim como sempre tive certeza de que Ela não abandonaria essa filha apaixonada - que erra muito, mas sempre tentando acertar. Então, especialmente para aqueles que não acreditaram, que disseram que ela me deixaria, que me trocaria... saibam que não há NADA que me assuste, nada que me desanime, porque Ela me reconhece.

Mas nada do que eu diga vai fazer você entender, porque você não vê com os meus olhos, estes que ganhei Dela. E não existe NADA, absolutamente nada mais lindo do que minha mãe dançando.

Ela ganhou asas, chegou no arco-íris e fugiu de lá. Foi morar no horizonte, onde poderia ser apenas ela mesma, não irmã gêmea... apenas Ewá... a mais linda!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O Senhor do Portão

Antes de Ewá aparecer, existia Ogum na minha vida.

Meu pai Ogum sempre tomou conta de mim, me acolheu e até hoje mantém meus caminhos seguros, onde quer que eu passe.

Ele é o senhor do portão e do avanço, do Cobalto e da Espada.
O guerreiro que venceu sozinho.

Ogum pode ser encontrado na liberdade da floresta, caçando, desbravando. Pode estar na beira do caminho, guardando. Ogum está na estrada de ferro...

Ogum é o guerreiro que nunca abandona nada.

Ogum venceu, e VENCE, todas as batalhas.
Mais do que isso: Ogum não deixa os seus filhos sem resposta.

Ogunhê!

Oxumarê & Ewá ~~>

Dia desses estava saindo de casa quando vi dois arco-íris, um ao lado do outro, em meio às nuvens de chuva.

Tamanha foi a surpresa que eu não conseguia parar de olhar. Escutei alguém dizer: parece hipnotizada...

E não é isso o que acontece quando encontramos com o divino inesperado?

A sensação pode ser descrita claramente: as cores ficam nítidas, não se ouve mais nada, todos os pêlos se levantam e as palavras desaparecem, os olhos brilham e apenas uma coisa faz sentido:

Ele e Ela são as serpentes que ganharam asas e chegaram no arco-íris.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Nuvem-rosa? Faça um pedido...

Estando eu a contemplar o poente, esse que só minha mãe Ewá me dá, quando escutei ao meu lado:

- Está olhando as nuvens cor-de-rosa, menina?
Fiz que sim.
- Fazendo um pedido, não é?
Ainda olhando para o céu, que agora era inteiramente rosa:
- Não...
- Oras, porque não?
- Porque Ewá sempre sabe o que eu quero. E tudo o que eu quero ela me dá...

Espero que todos possam algum dia ver como eu vejo esse céu que, quando cor-de-rosa, está dando um presente na nossas vidas.

Motumbá Ekedy...

Eu gosto de candomblé desde que me conheço por gente. Desde pequena eu era 'cambona', 'makota'... a ekedy.

Engraçado pensar agora que minha mãe falava para eu correr, caso algum orixá viesse na minha direção...

Mas eu não sabia o que uma ekedy fazia, na verdade só sabia que era muito bom estar acordada, sempre... e achei que ser ekedy era a melhor coisa do mundo.

E visitei casas onde a ekedy dançava, e percebi que também gostava de dançar.
De tanto mãe-de-santo falar que meu pai Ogun não dançava, resolvi que dançaria para ele, o tempo que ele quisesse e o quanto me permitisse.

Tenho certeza de que nunca quis ser nada diferente disso: uma simples ekedy.
Ekedy que é mãe, irmã, amiga, filha, e que está apenas aprendendo - como todo mundo -, mas que tem o coração do tamanho do Orun...

Por isso eu faço o que faço de coração - inteiramente -, e não porque é minha função...
Porque não me vejo fazendo de outra maneira. É a única forma que conheço...

Afinal, ekedy é mais do que uma segunda pessoa, é aquela pessoa que serve ao orixá, zela por ele e vive para ele... e por isso eu coloco minha cabeça no chão, e faço o que ele manda, seja lá o que for... porque orixá não tem idade...

Por que eu gosto de dançar? Porque Ewá me fez assim... uma apaixonada sem cura...
E quão triste seria uma vida sem música?