Eu gosto de candomblé desde que me conheço por gente. Desde pequena eu era 'cambona', 'makota'... a ekedy.
Engraçado pensar agora que minha mãe falava para eu correr, caso algum orixá viesse na minha direção...
Mas eu não sabia o que uma ekedy fazia, na verdade só sabia que era muito bom estar acordada, sempre... e achei que ser ekedy era a melhor coisa do mundo.
E visitei casas onde a ekedy dançava, e percebi que também gostava de dançar.
De tanto mãe-de-santo falar que meu pai Ogun não dançava, resolvi que dançaria para ele, o tempo que ele quisesse e o quanto me permitisse.
Tenho certeza de que nunca quis ser nada diferente disso: uma simples ekedy.
Ekedy que é mãe, irmã, amiga, filha, e que está apenas
aprendendo - como todo mundo -, mas que tem o coração do tamanho do Orun...
Por isso eu faço o que faço de coração - inteiramente -, e não porque é minha função...
Porque não me vejo fazendo de outra maneira. É a única forma que conheço...
Afinal, ekedy é mais do que uma segunda pessoa, é aquela pessoa que serve ao orixá, zela por ele e
vive para ele... e por isso eu coloco minha cabeça no chão, e faço o que ele manda, seja lá o que for...
porque orixá não tem idade...
Por que eu gosto de dançar?
Porque Ewá me fez assim... uma apaixonada sem cura...
E quão triste seria uma vida sem música?